Em 2024, 40 milhões de pessoas foram deslocadas por desastres relacionados à água. Lançado em 12 de novembro pela parceria global Sanitation and Water for All (SWA), sediada no Unicef, o briefing de políticas intitulado “Crises convergentes e oportunidades potenciais: Gênero, clima, saneamento e água” traz recomendações baseadas em evidências para que líderes promovam igualdade de gênero e acesso equitativo à água e ao saneamento, além de reforçar a necessidade urgente de posicionar mulheres e meninas como líderes e detentoras de conhecimento nos esforços de adaptação climática.
É fato que mulheres são as que mais sofrem com a insegurança hídrica – sendo responsáveis pela coleta de água em 7 de cada 10 domicílios – e enfrentam riscos agravados pelas mudanças climáticas, incluindo impactos sobre saúde, segurança, educação e meios de subsistência.
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e membro do Conselho de Liderança Global do SWA, autora de um dos prefácios incluídos no Gender Policy Brief e que o apresentou durante a COP30 em Belém, afirmou: “Para alcançar uma adaptação verdadeiramente transformadora, políticas sensíveis ao gênero devem desmontar desigualdades sistêmicas na governança de água e saneamento. Os marcos nacionais precisam incorporar a igualdade de gênero como um componente obrigatório e responsável dos serviços de água e saneamento resilientes ao clima.”
Por sua vez, Anjani Kapoor, chefe de políticas da SWA, comentou que “a mudança climática deixou de ser uma ameaça distante. Ela já está aprofundando desigualdades, especialmente para mulheres, crianças e comunidades marginalizadas que menos contribuíram para as emissões, mas sofrem os maiores impactos. A igualdade de gênero é central para a justiça social e um poderoso motor de resiliência climática – que começa verdadeiramente quando mulheres e grupos marginalizados são colocados como líderes, e não apenas como beneficiários”.
Além disso, a SWA atualizou sua definição fundamental de serviços WASH (água, saneamento e higiene) resilientes ao clima, inicialmente apresentada na COP29 no Azerbaijão. A versão aprimorada incorpora amplo feedback de governos e parceiros, apresentando um novo Framework de Resposta, que oferece um conjunto de opções adaptativas nos níveis transfronteiriço, nacional e local.
A COP30 recebeu o documento como orientação prática e oportuna, baseada nos contextos locais, apoiando a implementação efetiva da Meta 9ª do Framework dos Emirados Árabes Unidos para Resiliência Climática Global. O documento reforça a importância da gestão de riscos climáticos específicos a cada contexto como elemento essencial para transformar compromissos em ações de adaptação concretas.
O Pacto de Alto Nível convoca governos a colocar água e saneamento no centro da ação climática, redução de riscos de desastres, proteção da biodiversidade e crescimento econômico sustentável. Ele funciona como um marco político vivo para orientar esforços conjuntos a partir de 2025, com revisões regulares de progresso em plataformas globais como a COP30, o Baku Dialogue on Water and Climate e a Conferência da ONU sobre Água de 2026.
Até agora, 26 governos e 23 organizações já endossaram o Pacto – uma aliança crescente que fortalece a gestão sustentável da água em todos os níveis e estabelece as bases para os direitos humanos, prosperidade e estabilidade de longo prazo.
O que se espera é que estados subnacionais – como o Pará, que sediou a COP 30, assumam suas responsabilidades e priorizem a água e o saneamento básico.












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